Health Spain , León, Friday, December 16 of 2011, 16:05

Contato com humanoide torna os portadores de Alzheimer menos apáticos e agressivos

O funcionamento deste robô, desenvolvido na Universidade Rey Juan Carlos, foi explicado no dia 14 de dezembro em uma jornada de divulgação da cátedra Telefónica - Universidade de León

RAG/DICYT Os portadores de Alzheimer que estiveram em contato durante suas terapias com um humanoide criado na Universidade Rey Juan Carlos tiveram uma redução em seu nível de apatia - sintoma comum nos pacientes deste mal - bem como de agressividade. O robô, de 50 centímetros de altura, formula adivinhações, reproduz movimentos físicos que pede que os pacientes imitem, emite luz e som e pode dirigir o olhar aos doentes, entre outras funções. Suas características foram expostas no dia 14 durante a primeira Jornada de Divulgação da Cátedra Telefónica - Universidade de León, na qual se apresentaram diferentes projetos para a criação de tecnologia orientada às pessoas idosas.

 

As sessões com este humanoide foram realizadas no Centro Alzheimer da Fundação Rainha Sofia e dirigidas por um terapeuta com a opção de controlar, mediante um controle remoto, as funções a serem executadas pelo robô. “El niño”, como o chamam alguns dos assistentes deste centro, é capaz de realizar sessões de musicoterapia, de fisioterapia (faz movimentos e determina exercícios e repetições dos mesmos), ou de linguagem.

 

Quanto a esta última tarefa, em uma demonstração realizada durante sua apresentação na manhã do dia 14 em León, o humanoide fez a seguinte pergunta: “Quem faz os móveis?”. Quando detectou que alguém ao seu redor pronunciou a palavra “carpinteiro”, aceitou a resposta afirmativamente. Nesta atividade e na de musicoterapia o sistema faz perguntas e é capaz de interagir com os doentes a que se destinam.

 

Experiências prévias

 

José María Cañas, professor da Universidade Rey Juan Carlos, destacou que antes da introdução deste humanoide nas terapias deste centro de Alzheimer de Madri, havia sido realizada uma experiência com um robô-pelúcia em forma de foca, mas que, por sua pouca capacidade de movimento e ação, não foi muito efetiva.

 

Os pesquisadores desta instituição acadêmica introduziram como passo prévio ao humanoide um robô em forma de cachorro, que teve mais sucesso e “animava” os doentes com seus constantes movimentos. Finalmente, lançaram o projeto do robô humanoide, que foi utilizado nesta dependência durante duas sessões por semana por uma período de três meses, com resultados satisfatórios. De acordo com o grau de gravidade dos doentes, programavam-se atividades concretas para sua terapia. Assim, enquanto eram propostas adivinhações aos pacientes mais leves, ou lhes animavam a fazer exercícios determinados, os pacientes mais graves eram estimulados com luz e som.

 

Propostas da ULE

 

Na jornada desta manhã foram apresentados projetos tecnológicos destinados a melhorar a qualidade de vida das pessoas idosas como o denominado “A interação háptica na reabilitação”. Este plano tem como objetivo construir um protótipo baseado em tecnologias hápticas (que permitem reproduzir o tato durante uma simulação) para melhorar as capacidades cognitivas e motrizes das pessoas idosas. O sistema a ser desenvolvido apresentará uma série de exercícios em um computador às pessoas idosas que deverão resolvê-los utilizando os dispositivos hápticos.

 

Luis Panizo, diretor da Área de Inovação Tecnológica da ULE, participou da jornada com a conferência “Acesso em plataformas de participação cidadã”. Este projeto consiste em estabelecer recomendações mínimas para o desenho das plataformas de participação cidadã e voto eletrônico, para melhorar o acesso das pessoas idosas deficientes. Panizo confirmou que o trabalho está integrado por três atividades: de um lado, as soluções existentes no mercado, as possíveis melhorias de acesso, e o desenvolvimento de pautas verificáveis na melhoria do desenho destas plataformas.

 

Franciso J. Rodríguez, subdiretor da Escola de Engenharia da ULE, também explicou seu projeto “A tele-assistência a idosos”, apoiado pela Cátedra Telefónica-ULE, e que pretende desenvolver um sistema de realidade aumentada a ser aplicado no dia a dia de uma pessoa idosa no lar, e na criação de um dispositivo de tele-assistência genérico. Para tanto, contempla duas fases: a primeira sobre um sistema de ajuda visual para o consumo diário de um medicamento, e a segunda consistente em substituir os sistemas atuais de telefone e alarme.