Science Spain , Valladolid, Friday, May 15 of 2015, 16:36
INESPO II

Um projeto espanhol analisa variantes e conflitos dos atuais discursos sociais

Fazem parte do projeto RECDID (Retórica construtivista: discursos da identidade) investigadores das universidades espanholas de Valladolid, La Coruña, Jaume I de Castellón e Murcia, bem como vários colaboradores

Cristina G. Pedraz/DICYT Investigadores das universidades espanholas de Valladolid, La Coruña, Jaume I de Castellón e Murcia participam num projeto do Plano Nacional I&D 2013-2016 chamado de RECDID (Retórica construtivista: discursos da identidade) sobre o estudo do discurso que a sociedade atual constrói perante o desafio das novas identidades humanas e sociais. O projeto abrange a análise dos discursos que constroem três tipos de identidades sociais no contexto sócio-político: identidades urbanas, novas identidades pessoais e identidades relacionadas com alternativas eco-sociais.


A equipa de investigação da Universidade de Valladolid está composta pelos professores José David Pujante e Alfonso Martín, professores catedráticos de Teoria Literária e Literatura Comparada e os investigadores principais. Pertencem também à equipa Sara Molpeceres Arnáiz, professora no Departamento de Literatura Espanhola, e Laura Filardo Llamas, professora no Departamento de Filologia Inglesa; o grupo também conta com um investigador de pré-doutoramento, contratado graças ao programa de bolsas para contratos de formação de doutores, além de vários membros da equipa que não estão vinculados contratualmente com qualquer centro de investigação.


Como observam o investigador principal, José David Pujante, e o membro da equipa, Javier Nespereira, o objetivo final é “preencher o vazio ―ou o pequeno lugar― que ocupa na Espanha a investigação sobre o discurso social a partir do novo paradigma das ciências humanas, definido pela Nova Retórica e a moderna Teoria da Argumentação”.

 

O projeto prevê uma análise do corpus de discursos sociais já gerados na Espanha até agora (em contraste com outras partes da Europa e do mundo) e dos que se gerarão durante os três anos do projeto em cada uma das três linhas de construção de identidades sociais.


Igualmente, procura-se mostrar os problemas decorrentes dessas construções discursivas e dos seus usos sociais, bem como dos seus êxitos ou fracassos no que respeita a cada uma das linhas de pesquisa, enfocando os conflitos sociais gerados e os desafios que sejam resolvidos.

 

Identidade de género e identidade profissional

 

Quanto à primeira linha de trabalho, incidirá “sobre os aspectos da identidade de género, tal como a construção de identidades de género como um conflito encoberto, a dialética entre os discursos da nova masculinidade ou a identidade feminina; e também na identidade profissional através da relação conflituosa entre a identidade sexual e a profissão e a construção social das profissões através das biografias e autobiografias”, explicam os investigadores.


Em segundo lugar, quanto aos discursos sobre as identidades urbanas, “propõe-se trabalhar a compreensão da cidade como um espaço (físico e simbólico) que é construído através dos guias turísticos, porque se pode avançar de lá para a noção de gestão cultural, que combina os discursos comunicativos com os aspectos artísticos e literários”, acrescentam.


Quanto à terceira linha de trabalho, as alternativas eco-sociais, investiga-se a relação entre discurso e propostas de novos estilos de vida (tais como cooperativas de consumo, ecologismo, o decrescimento, etc.), contrapoder (tribos urbanas) e novas tecnologias, tudo com a ecologia como um aspecto unificador.

Finalmente, o projeto visa analisar, como um eixo transversal, a questão do conflito em cada uma das três secções porque “este pode estar presente quando se constrói uma nova identidade, seja pessoal ou de grupo”.

 

Abordagem metodológica


Como base para analisar e explicar as variações e conflitos dos discursos sociais do século XXI, os investigadores apoiam-se na complexa teoria retórica fornecida pela tradição histórica desta disciplina e reformulada na Nova Retórica do século XX, incidindo especialmente sobre a teoria argumentativa.


“As nossas linhas teóricas e analíticas para as três linhas discursivas podem ser resumidas no termo que cunhamos como ‘retórica construtivista’. Face ao rigoroso logicismo que reinava até meados do século XX para descrever a racionalidade humana, emerge a retórica, e a sua ‘irmã mais nova’ a argumentação, como novo paradigma das ciências humanas. Na base deste novo paradigma está a democratização das relações humanas em sociedades pluralistas, com acesso livre à discussão sobre questões sociais e uma compreensão da diversidade de opiniões como normal e saudável para as sociedades e o seu avanço”, explicam Pujante e Nespereira.


Atualmente, a equipa está a trabalhar na elaboração de um volume coletivo para publicar e dar mais difusão científica ao modelo teórico e metodológico da “retórica construtivista”. Nesta monografia vão expor, em primeiro lugar, as suas bases teóricas e a sua contribuição para a situação atual das disciplinas sobre o estudo do discurso e da comunicação de uma perspetiva crítica. A segunda parte do livro estará dedicada a publicar os resultados do trabalho empírico dos membros da equipa de investigação, em cada uma das três linhas do projeto, cujo orçamento total para os três anos de atividade é de 38.720 euros.


Na etapa final preveem a transferência do conhecimento teórico e metodológico adquirido nas três linhas de pesquisa. Para isso, está prevista a organização de um seminário ou workshop sobre a retórica construtivista, a preparação de diversos relatórios e a organização de umas Jornadas de investigação sobre a transmissão de identidade.


Outros colaboradores


Por meio das suas várias linhas de investigação, o projeto trabalha com a Amnistia Internacional (na secção sobre a identidade sexual e discriminação educacional e laboral) e com grupos eco-sociais e cooperativas galegas e catalãs (em termos de identidades eco-sociais alternativas). Também se colabora com a Amsterdam Critical Discourse Community, da Vrije Universiteit de Amesterdão, no discurso das alternativas eco-sociais; com o grupo Bioeletrogénesis de investigação das energias renováveis, da Universidade de Alcalá de Henares (Madrid, Espanha), na comunicação de alternativas energéticas; e com membros do serviço de saúde de Murcia (Espanha) com o projeto Salud-e.es, quanto ao discurso sobre saúde e medicina e a comunicação médico-paciente através da Internet.