Health Spain , Salamanca, Monday, October 08 of 2012, 15:12

Plataforma tecnológica é referência para os pesquisadores que buscam respostas no DNA

O Banco Nacional de DNA, que faz parte da plataforma NUCLEUS da USAL, armazena e distribui amostras para pesquisas científicas

José Pichel Andrés/DICYT O grande desenvolvimento da Genômica nos últimos anos faz com que grande parte dos avanços biomédicos atuais estejam baseados no estudo do DNA. O diagnóstico, o prognóstico e o desenvolvimento do tratamento para todos os tipos de doença estão relacionados com o conhecimento dos genes. Assim, cresce a importância dos biobancos como centros de armazenamento de amostras biológicas que posteriormente são proporcionadas aos pesquisadores. Esta tarefa é a razão de ser do Banco Nacional de DNA, uma plataforma do Instituto de Saúde Carlos III, com sede no Centro de Pesquiss do Câncer de Salamanca e que também faz parte da NUCLEUS, a Plataforma de Apoio à Pesquisa da Universidade de Salamanca.

 

O serviço surgiu em 2004, quando a Fundação Genoma Espanha apostou na criação de um grande biobanco nacional que permitiu que o país se unisse aos grandes projetos genômicos, dos quais até então não tinha podido participar, como o Projeto Genoma Humano. A proposta escolhida para tanto foi apresentada por Salamanca, que desde então deveria encarregar-se de coletar amostras em todo o território nacional, com o apoio de mais de cinqüenta centros. “Agora dispomos de amostras de mais de 35.000 indivíduos”, comenta Andrés García Montero, diretor técnico e um dos maiores responsáveis pelo banco, junto a Alberto Orfao, diretor científico, e Enrique de Álava, subdiretor.

 

Os cientistas calculam que possuem armazenados cerca de 900.000 pequenos tubos de DNA e que já foram distribuídos aproximadamente 60.000 amostras para mais de 100 projetos de pesquisa, resultando em numerosas publicações em revistas científicas. As amostras pertencem tanto a indivíduos sadios, que representam a população espanhola, quanto a doentes com diferentes patologias. Ainda que os cientistas já conheçam o genoma humano, ainda não foi descoberta a função de cada um dos genes que o compõe e a variabilidade existente entre indivíduos, o que é essencial para o estudo das doenças.

 

“Nosso primeiro projeto foi conseguir uma coleção representativa de pessoas sadias residentes na Espanha, o que era necessário para participar dos grandes projetos internacionais”, explica Andrés García Montero. Atualmente existem 4.500 amostras procedentes de todas as comunidades autônomas e em número proporcional à população de cada lugar.

 

Patologias

 

O próximo passo foi conseguir amostras das patologias mais prevalecentes e com maior impacto, como as cardiovasculares (infarto, angina de peito), metabólicas (diabete, obesidade), muitos tipos de câncer e doenças neurológicas e psiquiátricas, como o Alzheimer, o Parkinson, a esquizofrenia ou a esclerose múltipla, dentre outras.

 

Logo “trabalhamos apoiando projetos grandes voltados a uma doença concreta”, indica o diretor, como o seqüenciamento da leucemia linfática crônica dentro do grande projeto internacional que pretende seqüenciar os principais tipos de câncer; e também em doenças raras como, por exemplo, a fibromialgia e a síndrome da fadiga crônica ou a mastocitose.

 

“Qualquer pesquisador que precise de nossas amostras pode solicitá-las através do envio de um projeto que será avaliado por um comitê científico e por um comitê ético, que são os que decidem pelo envio ou não das amostras”, indica. A maioria das solicitações chegam da Espanha, mas também há muitas para projetos europeus e de todo o mundo.

 

Além de apoiar a pesquisa realizada por outros grupos, o biobanco também desenvolve seus próprios projetos, sobretudo enfocados na pesquisa tecnológica como, por exemplo, para melhorar o software utilizado na análise e integração de dados.

 

Informatização, robôs e segurança máxima

 

O equipamento que um biobanco necessita baseia-se no armazenamento de amostras e na gestão da informação para guardar e recuperar as amostras. De um lado, o Banco Nacional de DNA possui congeladores e tanques de nitrogênio líquido que garantem a perfeita conservação das amostras. Os sistemas de segurança garantem que nenhum corte de energia elétrica, nem falhas nos sistemas, possam afetar o material guardado no biobanco, por exemplo, em garrafas de CO2 líquido. Por outro lado, o sistema garante o rastreamento de amostras, já que cada tubo de DNA possui códigos que o identificam. O trabalho é realizado com robôs que se conectam diretamente ao sistema informático, de modo a evitar-se possíveis erros humanos.