Universidade de León adapta técnicas para permitir a reprodução assistida dos ursos-pardos cantábricos
Antonio Martín/DICYT Pesquisadores do grupo ITRA-ULE, especialistas em técnicas de reprodução assistida do Hospital Clínico Veterinário da Universidade de León, trabalham atualmente em várias linhas para adaptar as técnicas de reprodução assistida utilizadas em outros mamíferos ao urso-pardo. A finalidade desta pesquisa é poder aplicar estas técnicas de inseminação em ursos-pardos cantábricos, para aumentar assim a variabilidade genética desta população em risco e garantir sua sobrevivência. Os cientistas estão otimistas com aplicação, a médio prazo, destas metodologias.
O ponto de partida desta pesquisa é a criação de um banco de recursos genéticos do urso-pardo cantábrico (Ursus arctos cantabricus), o que implica um acúmulo de amostras destes animais em perigo. “A partir deste banco, poderíamos gerar novos animais”, destaca a DiCYT Mercedes Álvarez, pesquisadora do grupo ITRA-ULE, considerado de excelência pela Junta de Castela e Leão. Para tanto, necessitam adaptar à reprodução do urso-pardo as técnicas existentes para outros mamíferos. Estas estão muito desenvolvidas para animais de criação (como vacas, ovelhas e inclusive cachorros), mas não eram aplicadas em ursídeos até alguns anos.
Há oito anos, a equipe científica atualmente composta principalmente por biotecnólogos, biólogos e veterinários, é a única na Espanha que atua neste âmbito. A proximidade com a Cordilheira Cantábrica e a sensibilidade social sobre o possível desaparecimento desta população autóctone de urso-pardo motivaram estes pesquisadores a iniciar o projeto e desenvolver técnicas de reprodução assistida em ursídeos. “Existem poucos grupos no mundo que trabalham neste âmbito”, destaca Álvarez. No Japão existe outro grupo que busca conservar, pelo mesmo método, uma espécie autóctone do arquipélago.
Os cientistas da Universidade de León trabalham em duas linhas. Uma delas está dirigida a uma melhor conservação de gametas masculinos, isto é, de espermatozóides, enquanto a outra pretende descrever a fisiologia e anatomia reprodutiva da fêmea. Os principais resultados foram obtidos na primeira linha, na qual já houve publicações em revistas internacionais como Theriogenology. “Basicamente, avançamos no aspecto de espermatologia e conservação do sêmen do urso a baixas temperaturas”, relata Álvarez. Concretamente, os cientistas descobriram um diluente específico para este tipo de material e desenvolveram crioprotetores, como o glicerol, para os diluentes.
Ademais, trabalharam na depuração de uma problemática enfrentada pelos tratadores no momento da coleta da amostra. O urso deve estar desacordado e, a partir de eletroestimulação, obtêm-se as amostras. No entanto, esta técnica pode resultar em uroespermia, a contaminação do sêmen por urina. Os cientistas querem depurar uma técnica para melhorar a conservação do material reprodutivo para estes casos. De outro lado, os cientistas também trabalham em melhorias na refrigeração e adaptação conjunta de metodologias à atuação no campo, onde não se encontrarão as mesmas condições do laboratório.
Fêmeas
No caso do trabalho com as fêmeas, os avanços são mais reduzidos. “Descobrimos que se desconhece o ciclo sexual completo da ursa, como ocorre, por exemplo, com o da vaca”. Para solucionar esta falta de informação, os cientistas começaram um estudo de caracterização fisiológica e anatômica da cavidade vaginal. Querem conhecer as particularidades do cio da ursa parda: quando se produz, qual é seu ciclo e quantos existem no decorrer do ano. Também querem conhecer com detalhe o aparelho reprodutor feminino. Com esta informação, será possível no futuro realizar a reprodução assistida por duas vias, a laparoscopia (intervenção cirúrgica minimamente invasiva) ou a transcervical (aproveitando os canais naturais). Todo o conjunto da pesquisa é financiado por vários projetos de Cicyt, do Ministério da Ciência e Inovação. O Parque da Natureza de Cabárceno, da Cantábria, colabora com este grupo na obtenção de amostras, proporcionando seus exemplares de urso-pardo.
Álvares está otimista com a obtenção dos resultados. “Não podemos estipular datas, mas acreditamos que será possível adaptar estas técnicas no futuro”. Ademais, conta com uma vantagem. A população de ursos-pardos cantábricos não diminuiu nos últimos tempos e está apresentando uma pequena ascensão. Não há, portanto, pressa para obter os resultados, tampouco pressão. Em primeiro lugar, os cientistas querem criar um banco de germoplasma com amostras da população cantábrica para utilizar nas últimas fases experimentais. Também se contempla a possibilidade de obter amostras de animais vivos. Para tanto, paralelamente a estes trabalhos específicos de inseminação artificial, os cientistas da Universidade de León trabalham em uma linha para melhorar os efeitos dos soníferos dos dardos utilizados para sedar os ursos no campo.