Health Spain , León, Tuesday, June 02 of 2015, 16:30
INESPO II

Alguns antioxidantes são eficazes na redução da sensação retardada de dor muscular

Investigadores do Instituto de Biomedicina da Universidade de León (IBIOMED) realizaram um estudo de revisão que analisa a literatura científica sobre o assunto

Cristina G. Pedraz/DICYT Investigadores do Instituto de Biomedicina da Universidade de León (IBIOMED, Espanha), da Universidade Autónoma de Chihuahua (México) e da Universidade de Viçosa (Brasil) realizaram uma revisão sistemática da literatura científica para determinar os efeitos dos suplementos antioxidantes na diminuição da “sensação retardada de dor muscular” (SRDM) também chamada de “dor muscular tardia” (do inglês ‘Delayed Onset Muscle Soreness’, DOMS), ou seja, aquela sensação de alguma rigidez e fadiga musculares que acontece no dia seguinte após um grande esforço físico.


Em um artigo publicado na revista científica Nutrición Hospitalaria, Ramón Candia Luján, José Antonio de Paz e Osvaldo Costa Moreira realizam um rastreamento bibliográfica nas principais bases de dados científicas em torno dos suplementos antioxidantes, os quais se tornaram populares nos últimos anos para diminuir os efeitos dos radicais livres e os sintomas de lesões musculares, incluindo SRDM.


O investigador de IBIOMED José Antonio de Paz explica a DiCYT o interesse em aprofundar esta linha. “Desde 2000 em IBIOMED andamos a trabalhar com pacientes com esclerose múltipla, idosos, pessoas com fibromialgia ou insuficiência renal, entre outros, para analisar como através da condição física podemos melhorar a sua qualidade de vida e reduzir a incapacidade desses pacientes”.


Nestes anos de trabalho, os investigadores descobriram que uma das coisas mais importantes para treinar em pessoas com a saúde comprometida é a força muscular. “É preciso aumentarem a massa muscular e a força. Hoje em dia o tecido muscular é considerado um órgão endócrino, e também tem uma função imunológica. Portanto, o treino de força não só aumenta a qualidade de vida por melhorar funcionalmente as pessoas, mas produz efeitos biológicos, bioquímicos e hormonais benéficos”, aclara.


Para aumentar a massa muscular e a força é essencial programar um treino de força adequado; neste sentido, há duas possibilidades. “Uma é a formação convencional: levantar pesos, o que se chama de movimento concêntrico, o que requer muita energia porque para ter repercussão sobre o músculo a carga tem que ser muito grande”. No entanto, estes pacientes muitas vezes “não têm energia suficiente para levantar o peso”.


Por isso, há um outro tipo de treino que se baseia em descer cargas, chamado de treino excêntrico. “Se subirmos uma montanha, faremos um trabalho concêntrico: basicamente, custa-nos muita energia e é muito cansativo. Mas se a descermos, isso é o trabalho excêntrico, que não desgasta tanto, pois não precisamos de uma grande quantidade de energia, mas tem muita repercussão sobre os músculos”. De facto, é este tipo de trabalho excêntrico o que produz a fadiga muscular e SRDM. “As nossas pernas doem quando descemos uma montanha, e não quando a escalamos”, ilustra o investigador.


Treino de tipo excêntrico


Por isso, a equipa científica do IBIOMED trabalha o treino de força de tipo excêntrico porque para os pacientes com esclerose múltipla, idosos, pessoas com fibromialgia ou insuficiência renal, etc. é o mais viável, embora inicialmente produza bastante dor muscular.


“Essa é a razão pela qual decidimos estudar o que havia em publicações científicas internacionais sobre o uso de antioxidantes para diminuir a dor muscular causada pelo exercício”, diz.


Os investigadores encontraram 54 artigos científicos que tratavam da dor muscular tardia e o uso de antioxidantes. Desses 54 artigos, todos em nglês, obtiveram 48 em texto completo. Destes, 17 falavam sobre o efeito das vitamina C e E; outros 14, sobre a utilização dos polifenóis; 11 dirigiam-se ao uso de café e cacau e 4 ao consumo de bebidas comerciais. Em suma, “dos 17 artigos sobre vitamina C e E, mostraram-se eficientes 7; dos 14 artigos sobre polifenóis, foram eficazes 9; dos 11 sobre café e cacau, também 9; e dos 4 de bebidas comerciais, só 2 foram eficazes. Portanto, parece que os antioxidantes mais eficazes são os polifenóis, café e cacau”, explica o investigador.


Por outro lado, acrescenta o professor, para que a administração de antioxidantes for eficaz na redução de SRDM, geralmente o tratamento não deveria ser feito apenas após o exercício, mas antes e depois.


Colaboração internacional


Os investigadores que participaram junto com José Antonio de Paz neste trabalho, Ramón Candia Luján e Osvaldo Costa Moreira, receberam bolsas dos seus respetivos países para um estágio de doutoramento de quatro anos no IBIOMED da Universidade de León. Ambos são professores nas universidades de Chihuahua e Viçosa, respetivamente, e trabalham em diferentes aspectos do treino de força.


Entre os aspectos que andam a analisar está a quantificação da massa muscular ou a hipertrofia, ou seja, o resultado dos treinos, para o que empregam densitometrias; também tentam melhorar a sensibilidade e especificidade desse método. Um dos estudos realizados focou em pacientes com esclerose múltipla; os participantes deste estudo fizeram treino excêntrico com o equipamento especializado à disposição da Universidade de León por 14 semanas e os resultados desse treino serão comparados com os de 80 pacientes de outras partes da região espanhola de Castilla y León, que se ofereceram como sujeitos de controlo a aplicar um treino convencional (concêntrico).


Os investigadores também estão a trabalhar no treino de força com pacientes com cancro da mama, em colaboração com uma equipa científica da Universidade de Sonora (México) e com outro grupo de Bogotá (Colômbia); o objetivo era que essas pacientes ganhassem força e massa muscular. Assim, no passado mês de agosto, os investigadores receberam um prémio pelo trabalho realizado em Bogotá em que conseguiram reduzir um dos biomarcadores da doença, o ‘IGF-1’ (fator de crescimento semelhante à insulina tipo 1).

 

 

Referencias bibliográficas
Candia-Luján, R., Fernández, J. A. D. P., y Moreira, O. C. (2014). ¿ Son efectivos los suplementos antioxidantes en la disminución del dolor muscular tardío?: Una revisión sistemática. Nutrición Hospitalaria, 31(n01).